Ele descobre e me mostra. Nos mostra, porque as pequenas já fazem parte desse circuito. E a gente vai se apaixonando. Se apaixona, se apaixona, e aí, chega um dia que não consegue mais tirar da cabeça. Fica tocando direto no ouvido, na hora do banho, trabalhando e até naquele momento do quase-dormir.
Costumam dizer por aí que toda unanimidade é burra. Ouço também falar que o gosto musical, artístico e político da maioria é duvidoso. Uma cronista de quem gosto muito chamou minha atenção ao dizer que foge de estréias lotadas nos cinemas e que é sempre atraída para aquelas seções quase vazias, as quais considera mais interessantes.
Música boa é aquela feita por uma banda de rock descoberta ao norte da Austrália. Livro bom é daquele escritor húngaro do qual nunca ninguém ouviu falar. Televisão? Não. É lixo. Todo mundo vê.
Acredito sim, que existe muita coisa boa, boa mesmo, escondida dos olhos da maioria. Mas não acho que isso possa trair a opinião do povo. Por que a música fica ruim quando passa a tocar nas rádios? Por que o livro se torna desinteressante quando alcança a lista dos mais vendidos? Unanimidade burra? Sei não...Acho que o elitismo pode ser mais. Acho que burrice é não ouvir, não ler, não assistir. Quer coisa mais bonita do que ver uma sala de cinema cheia? Um livro alcançando a marca dos 500.000 exemplares vendidos? Ainda que seja para assistir X-MEN Origins –Wolverine ou Anjos e Demônios (as últimas estréias que, felizmente, assisti) ou ainda que sejam livros de auto-ajuda ou trilogias de romance que parecem ter sempre o mesmo enredo...
Quem lê Nora Roberts, Jonh Grisham, Marian Keyes, Paulo Coelho, Dan Brown não devia ser o alvo de críticas dos grandes seres evoluídos da cultura mundial. As críticas - no bom sentido, é claro – deveriam ser endereçadas a quem não lê, não ouve, não assiste. Isso sim é problema. Opiniões pessoais diferentes existirão, Graças a Deus. Eu, por exemplo, não gosto de Nora Roberts e de Augusto Cury, mas adoro as tiradas engraçadas e os personagens tão reais da Marian Keyes. Adoro Drummond e Rubem Alves, mas também me encantei com o romance de Edward Cullen e Bella Swan em Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse (e estou louca para ler o Amanhecer).
Sinceramente? Me perdoem, mas achei pesada e entediante a versão televisiva de Machado de Assis, Capitu. Sou encantada com a obra de Machado de Assis, mas não consegui terminar de assistir à série. Por um outro lado, dou boas risadas com comédias românticas daquelas bem Hollywoodianas. Não consigo escutar por mais de cinco minutos determinadas peças raras da música erudita mundial, mas canto junto, empolgadíssima, com os maiores sucessos da rádio. Será que sou um ser “acultural”? Faço parte dessa unanimidade burra? Talvez. Mas tenho certeza de que de não faço parte da maioria mais absoluta e verdadeira deste país: aquela que não lê. É essa maioria que me preocupa.
Escrevi o texto com muito carinho, mas a ilustração superou todo esse carinho ao quadrado! A Nina não só ilustra, ela sente o texto. Que lindo isso, Nina! Muito obrigada!
Nunca gostei de matemática, nem de números. Números são muito exatos, com valores previamente definidos, imutáveis. Não combinam com a natureza humana. São necesssários, eu sei. Mas não são queridos. Não por mim. São diferentes das palavras. Amo palavras. As palavras não são exatas, parecem ter sentimento. Mas, não sem a ajuda das palavras, é a matemática que me explica o segundo filho.
Em algum momento, percebemos que 1 + 1 não são mais suficientes. Ou não querem mais ser suficientes. Chegando +1, não temos 3 somente. Temos 3 pessoas, mas somamos mais carinho, menos sono, menos filmes, menos livros, mais preocupação, mais realização, menos tempo, mais qualidade. E somamos amor. Muito. Tanto que nem dá para colocar em número.
E, de repente, chega +1. Agora são 4. Menos tempo aida. Menos sono ainda. Ainda menos livros e filmes. Menos namoro. E uma surpresa: Aquele amor que acreditávamos já ser o maior do mundo aumenta. Mais, muito mais. Aprendemos a domar o tempo, a domar o sono. Aprendemos a redirecionar a vida. Aquela pergunta que eu sempre me fazia: "Será possível amar alguém assim, com a mesma intensidade?" recebe uma resposta concreta. É possível. É possível amar mais ainda, e melhor. É possível amar so mesmo jeito, com a mesma intensidade. É possível olhar com os mesmos olhos. É possível passar tudo de novo com um sorriso ainda maior nos lábios. Sorriso de quem já passou por isso e sabe que vai dar certo. Sorriso de quem está passando por um caminho que já conhece e no qual se sente mais à vontade.
O segundo filho também muda a nossa vida. Subtrai algumas coisas, divide muitas. Mas também soma. E multiplica aquilo que não se acreditava poder ser maior. E fica ainda mais difícil tirar aquele sorriso do rosto. Sorriso de mãe. Realizada.
*Texto escrito no dia do aniversário da minha Elisa, que completou 3 aninhos na última quarta feira, não publicado na data por ter sido o teclado de casa desconfigurado pela própria. (Eu não disse que seria fácil...) *Vai com muito carinho também para a Victoria (que acabou de chegar) e para a Helena (que está chegando). Pensei muito em vocês quando estava escrevendo, viu???
se eu fosse um mês: eu seria setembro. se eu fosse um dia da semana: eu seria a sexta-feira. se eu fosse uma hora do dia: eu seria às 10:00 da noite. se eu fosse uma estação do ano: eu seria a primavera. se eu fosse um planeta: eu seria a Terra. se eu fosse uma direção: eu seria o norte. se eu fosse um móvel: eu seria uma cama, cheia de travesseiros. se eu fosse um pecado: eu seria o orgulho. se eu fosse um sentido: eu seria o olfato. se eu fosse uma pedra: eu seria uma ametista. se eu fosse uma planta: eu seria um ipê amarelo. se eu fosse uma flor: eu seria uma margarida. se eu fosse um clima: eu seria fresco. se eu fosse um prato: eu seria um queijo. se eu fosse um instrumento musical: eu seria um piano se eu fosse um elemento: eu seria a terra. se eu fosse uma cor: eu seria azul. se eu fosse um animal: eu seria um passarinho. se eu fosse um som: eu seria uma gargalhada. se eu fosse uma música: eu seria "All Star". se eu fosse um sentimento: eu seria o amor. se eu fosse um lugar: eu seria a DisneyWorld. se eu fosse um sabor: eu seria chocolate. se eu fosse uma palavra: eu seria fé. se eu fosse um verbo: eu seria realizar. se eu fosse um objeto: eu seria uma caneta. se eu fosse uma parte do corpo: eu seria os olhos. se eu fosse um número: eu seria o 2. se eu fosse um símbolo: eu seria uma estrela.
Já cheguei a acreditar que a vida é feita de encontros. Acreditei que os encontros que temos durante a nossa vida que nos tornam as pessoas que somos. Pais, irmãos, a melhor amiga de infância que pode mudar a qualquer momento, aquele professor de matemática ou de física que era o mais temido do ensino médio, aquele anúncio de jornal que leva a um pensamento inesperado ou a uma ligação surpreendente, aquele filme que faz querer mudar a vida, o primeiro chefe, o primeiro namorado. Acreditei que cada um desses encontros nos ensinasse alguma coisa e preparasse o encontro mais especial de todos, aquele que temos com o nosso próprio EU.
Hoje não mais acredito nesses encontros. Ou pelo menos não somente neles. Acredito que os desencontros que enfrentamos durante a vida é que se tornam os verdadeiros mestres de uma personalidade.
Encontrar é fácil. Passamos a vida inteira tentando encontrar. Respostas, caminhos, parceiros, soluções, felicidade. Quando o encontro acontece, nos sentimos realizados. Desencontrar, não. Desencontrar é difícil, é doloroso. Quando desencontramos, sofremos. Muito. Encontrar é um resultado esperado, querido. Desencontrar deixa um vazio, representa uma perda. E é aí que eu vejo toda essa beleza. Às vezes, não precisamos encontrar mais nada, mas precisamos desencontrar preconceitos, idéias, vontades, pessoas, trabalhos. Desencontros ensinam. Desencontros mudam. Fazem crescer. Desencontros também nos levam ao encontro do nosso próprio EU, e, muitas vezes, de forma ainda mais íntima.
Não me lembro de vê-la lendo tanto. Algumas vezes, talvez. A lembrança mais concreta foi de quando a vi lendo e sublinhando com caneta azul os trechos mais tocantes de “Minutos de Sabedoria”. Eu devia ter uns 11 anos ou mais. Mas muito antes disso, talvez até mesmo sem querer (ou não) ela já era o meu Monteiro Lobato. Ela adorava dizer que eu adorava ler. Ela adorava me comprar livros. O Menino do Dedo Verde, Meu Pé de Laranja Lima, A Casa do Anjo da Guarda, O Menino Maluquinho, As Reinações de Narizinho, foram alguns dos títulos que eu já havia lido muito antes de ouvir falar deles na escola. Ela nunca me negou um livro. Nem quando a dificuldade financeira batia muito forte à porta e eu nem desconfiava.
Eu podia quase tocar o orgulho que ela demonstrava quando dizia: “Ela adora ler!”, “Quando está lendo, parece que esquece do mundo, essa menina”. Hoje eu sinto o mesmo orgulho com as minhas filhas. O orgulho é tão grande que chega a ser concreto. Como quando fui buscar a Laura na escola e a professora nos disse que ela estava nos esperando na biblioteca, e, chegando até lá, encontramos uma Laura encantada com uma carteirinha de estudante nas mãos achando uma grande conquista o fato de poder pegar qualquer um dentre aquelas centenas de livros e devolver alguns dias depois. Monteiro Lobato precisava ver isso. Monteiro Lobato precisava ver o sorriso de todas as crianças que lêem. Mais. Precisava ver o que essas palavras lidas na infância fazem por um adulto. Precisava ver a transformação que a leitura faz no ser humano. No mundo. Nas relações humanas. Ele não viu, mas devia saber disso muito bem.
Ela? Continuo não sabendo se ela fez tudo isso de forma consciente. Não sei se ela sabia o quanto aqueles livros me faziam felizes. Não sei se ela sabe o quanto sou grata por isso. Não sei se ela sabe o quanto quero fazer o mesmo pelas minhas filhas. Não sei se ela sabe que foi o meu Monteiro Lobato. Nem sei se ela sabe o que significa ser o Monteiro Lobato de alguém. Mas ela foi. Acho que continua sendo, porque eu continuo sentindo forte aquele mesmo orgulho de quando era criança. Se encha de orgulho mesmo, Mãe. Ser Monteiro Lobato não é para qualquer um.